“NOSSA LUTA NÃO É SÓ POR DEMOCRACIA, MAS POR OUTRA CIVILIZAÇÃO”, DIZ PEPE MUJICA, EM CURITIBA

“Nossa luta não é só por democracia, mas por outra civilização”, disse o senador e ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica ao participar do seminário Democracia na América Latina, nesta quarta-feira (27), em Curitiba. Ele destacou ainda que, antes de mais nada, é preciso mudar a cultura. “Sem mudar a cultura, não muda nada. ”

 

O evento reuniu mais de 3,5 mil pessoas, com a participação de representantes da sociedade civil, da comunidade universitária, dos movimentos sociais e políticos. O senador Roberto Requião participou do evento e esteve presente com o ex-presidente Mujica e sua companheira a senadora Lucía Topolanski. “Pepe Mujica é um exemplo de ética para todo o mundo”, definiu o senador.

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Requião aproveitou e também entregou ao ex-presidente do Uruguai uma cópia da carta que recebeu de Jorge Salerno, militante e companheiro de Mujica no Movimento de Liberação Nacional – Tupamaros (MLN-T), em 1968. Leia aqui a carta.

 

“A democracia é uma luta, não é um canal estático, não ao conformismo. É produto da consciência organizada dos homens, sonho de um mundo melhor. O papel é lutar por um mundo melhor, luta pelo amor, pela vida”

Esta foi a primeira atividade do projeto Ciclo de Diálogos desenvolvido pelo Laboratório de Cultura Digital, um projeto do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da APP Sindicato.

 

DESAFIOS

Mujica falou por aproximadamente 40 minutos e duras críticas à desigualdade e ao consumo compulsivo. Ele também falou sobre os desafios da democracia em todo o mundo. Outro ponto destacado por ele, é que a vida não pode ser feita apenas de trabalho.

 

“Não se pode ir ao supermercado e comprar cinco anos de vida. É preciso trabalhar para fazer frente às necessidades materiais, mas a vida não é só trabalho, é preciso ter tempo para viver e ser livre”.

 

“NÃO COMETER OS ERROS DO MEU TEMPO”

“Esse proletariado que vocês vão ser tem grande responsabilidade de não cometer os erros do meu tempo. Minha geração pensou que nacionalizando os meios de produção e melhorando a distribuição teriam um homem novo. Grande erro. Se não muda a cultura, não muda nada”.

 

Mujica falou também sobre o avanço das novas tecnologias. “O que pode ser uma ferramenta de democracia também pode ser um instrumento de submissão”, disse, alertando que o homem não pode conviver em uma sociedade de “ordem e mando”.

 

Ele reiterou a necessidade de incorporar as novas tecnologias ao interesse da sociedade. “A democracia de vocês há de ser muito mais desenvolvida que a nossa democracia representativa. A democracia de vocês não terá limites porque será digital”.

 

OUTROS PALESTRANTES

Também falaram no seminário a integrante da Rede de Mulheres Negras do Paraná e Secretária de Direitos Humanos da ABGLT, Heliana Hemeterio dos Santos; o doutor em História pela FFLCH-USP, Gilberto Maringoni; a mestre em Educação pela UFPR e professora da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA), Lívia Morales; e a pesquisadora na área de políticas educacionais e movimentos sociais da UFPR, Andrea Caldas.

 

Com informações dos sites abaixo e outras:

Brasil de Fato

Laboratório de Cultura Digital

(www.facebook.com/LabCulturaDigital/)

G1

Gazeta do Povo