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Brasil mercado ou Brasil Nação?, questiona Requião Imprimir E-mail
Ter, 12 de Janeiro de 2010 20:17
requiao_110110O governador Roberto Requião disse nesta segunda-feira (11) que o desenvolvimento do Brasil está travado em função da política econômica dirigida pelo Banco Central.
“A possibilidade de desenvolvimento está travada numa visão neoliberal e na escravização da política econômica do Brasil ao mercado: o tal Banco Central”, disse Requião. Para Requião, o país se coloca nos dias de hoje numa contradição entre mercado e nação, o que considera muito importante para ser debatida nas eleições presidenciais. “O mercado funciona apenas e tão somente movido pela ganância, pelo desejo de lucro imediato. O mercado que mobiliza bilhões, trilhões de dólares de moedas importantes com a velocidade da moderna internet. E no seu desejo desesperado de lucro, leva empresas e nações inteiras ao desemprego e ao desespero”. Nação- Ao mercado, segundo Requião, se contrapõe a ideia de Nação. Ao contrário do mercado, a nação tem história, consolida o seu território com o suor e o sangue de gerações. “A Nação tem compromisso com as pessoas. A Nação, sem a menor sombra de dúvida, é forjada num processo cultural que vai se transformando na medida em que o país se urbaniza num processo civilizatório – civis, a cultura na dimensão da cidade” disse.

No caso do Brasil, conforme Requião, o Banco Central tem gente competente para cuidar da moeda, do ponto de vista do liberalismo econômico. “Mas não tem nenhuma sensibilidade social para subsidiar uma política trabalhista, uma política agrícola, uma política industrial, uma política comercial que coloque o país em condições ideais para participar desse processo de globalização do mundo”.

China
Segundo Requião, a proposta neoliberal e do Banco Cental  ao Brasil, é a de transformar o Brasil numa espécie de China com menos habitantes. A China tem um bilhão e trezentos milhões de habitantes. Trezentos milhões estão integrados na sua modernização.

“Querem transformar o Brasil numa China com menos habitantes, nos colocando no mercado globalizado como fornecedores de mão de obra barata, num trabalho aviltado, num trabalho desmoralizado com salários baixíssimos e como vendedores de commodities de minérios ou de vendedores de grãos das nossas plantações”.

Requião aponta que atual política econômica é uma regressão. “O Brasil precisa se industrializar, precisa pensar no povo”.

Exemplo dos EUA
O governador do Paraná citou o exemplo dos EUA que teve este tipo de impasse depois de sua independência. “E foi no governo de George Washington, sobre a intervenção do economista Alexander Hamilton, que lançou ao Congresso seu Tratado de Manufatura, que rompeu com a visão de Adam Smith, a visão do liberalismo econômico, para, partindo de suas condições especificas, de cultura e de desenvolvimento, se modernizar, inovar na indústria e se transformar numa potência econômica”.

“Brasil Nação ou Brasil mercado. Mercado para os outros ou Nação para os brasileiros”, é o questionamento do governador do Paraná.

Leia a seguir a íntegra do pronunciamento de Requião
A ideia da nossa participação da internet na página do PMDB de Curitiba e na minha participação pessoal no twitter é discutir ou pouco mais profundamente o nosso Brasil. Sinceramente, eu não vejo nas pessoas que se colocaram até agora à presidente da República, nenhum diferença sensível, que acrescente algum sucesso à mais ao governo do presidente Lula.

Inegavelmente, o presidente Lula tirou milhões de brasileiros da miséria. Abriu as portas das universidades e das escolas técnicas a outros milhões. E iniciou a construção de uma infraestrutura indispensável para que o Brasil dê um salto de progresso e de desenvolvimento.

Aonde é que essa possibilidade de desenvolvimento está travada? Sem sombra de dúvida, ela está travada numa visão neoliberal e na escravização da política econômica do Brasil ao mercado: o tal Banco Central independente ou como diz a nossa Gleisi Hoffmann, uma futura candidato ao Senado daqui do Paraná, ao Banco Central autônomo no governo do presidente Lula.

Aí é que a coisa pega. Há uma contradição importantíssima hoje entre o mercado e a Nação. O mercado que funciona apenas e tão somente movido pela ganância, pelo desejo de lucro imediato. O mercado que mobiliza bilhões, trilhões de dólares de moedas importantes com a velocidade da moderna internet. E no seu desejo desesperado de lucro, leva empresas e nações inteiras ao desemprego e ao desespero.

Ao mercado se contrapõe a ideia de Nação. Ao contrário do mercado, a Nação tem história. A Nação consolida o seu território com o suor e o sangue de gerações. A Nação tem compromisso com as pessoas. O mercado só com a ganância. A Nação, sem a menor sombra de dúvida, é forjada num processo cultural que vai se transformando na medida em que o país se urbaniza num processo civilizatório – civis, a cultura na dimensão da cidade.

O mercado só tem o compromisso com o lucro e com a ganância e é administrado pelos bancos centrais independentes ou autônomos. A Nação tem o compromisso com as pessoas, com a aventura de vida de uma sociedade inteira, com a aventura de vida das famílias e das pessoas. A Nação tem o compromisso com o amor e com a solidariedade. O mercado só com o lucro.

O Banco Central brasileiro tem gente competente para cuidar da moeda, do ponto de vista do liberalismo econômico. Mas não tem nenhuma sensibilidade social para subsidiar uma política trabalhista, uma política agrícola, uma política industrial, uma política comercial que coloque o país em condições ideais para participar desse processo de globalização do mundo.

O mercado pensa apenas no lucro e na defesa da moeda. E o neoliberalismo, a fim e ao cabo, quer transformar o Brasil numa espécie de China com menos habitantes. Com vocês sabem, a China tem um bilhão e trezentos milhões de habitantes. Trezentos milhões estão integrados na sua modernização. Um bilhão de habitantes vive numa miséria absoluta. Alguns até em estado primitivo, morando até em cavernas. Querem transformar o Brasil numa China com menos habitantes, nos colocando no mercado globalizado como fornecedores de mão de obra barata, num trabalho aviltado, num trabalho desmoralizado com salários baixíssimos e como vendedores de commodities de minérios ou de vendedores de grãos das nossas plantações.

É uma regressão, o Brasil precisa se industrializar, precisa pensar no povo. Os EUA já esteve num impasse desses depois de sua independência. E foi no governo de George Washington, sobre a intervenção do economista Alexander Hamilton, que lançou ao Congresso Nacional seu Tratado de Manufatura, que rompeu com a visão de Adam Smith, a visão do liberalismo econômico, para, partindo de suas condições especificas, de cultura e de desenvolvimento, se modernizar, inovar na indústria e se transformar numa potência econômica.

Brasil Nação ou Brasil mercado. Mercado para os outros ou Nação para os brasileiros.
 
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