| Íntegra do pronunciamento do governador Roberto Requião na convenção do PMDB |
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| Ter, 15 de Dezembro de 2009 18:51 |
Companheiros! É um prazer enorme estar aqui votando numa chapa única, reforçando a candidatura do Pessutão à minha sucessão no Governo do Estado, valorizando como sempre o nosso velho MDB de Guerra.Estou andando pelo Brasil, participando de convenções e conversando a situação do país. Vejam vocês, ontem os jornais mostravam com clareza que a carne brasileira está custando US$ 45 por arroba, historicamente custava US$ 25, parece que valorizou. Que coisa maravilhosa. De US$ 25 crescemos para US$ 45. Com a taxa cambial é a apreciação ou valorização do real em relação ao dólar que está fazendo isto e a conseqüência mais direta é que quem está vendendo carne no mundo hoje é a Austrália, que tem um preço melhor e nós estamos naquela síndrome argentina, com a ameaça de ver nosso rebanho dizimado com os produtores sacrificando as matrizes porque não tem o que fazer com os bois no pasto. Pelo menos no que se refere à exportação. Não estamos exportando.
O dólar desvalorizado faz a alegria da classe média brasileira e também os trabalhadores, que graças aos bons governos do Lula, tiveram um acréscimo de renda. Mas o dólar nesta cotação elimina a produção brasileira, que não pode concorrer com os produtos chineses, extremamente barato.
O dólar retrocede, elimina os investimentos no crescimento industrial e no médio prazo sacrifica a necessidade de emprego que nós temos para absorver a nossa gente. O dólar retrocede estimula na véspera da eleição a irresponsabilidade dos políticos com a fantasia do crescimento econômico.
As nossas montadoras de automóveis já estão importando autopeças e logo, logo teremos, se isto continuar, um desastre igual ao governo do FHC, quando 250 mil trabalhadores do setor metal-mecânico ficaram da noite para o dia desempregados.
Estas coisas todas decorrem com a excessiva valorização do capital financeiro e o velho MDB de guerra tem que começar a pensar na valorização do trabalho e do capital produtivo.
O que é que se propõe para o Brasil hoje? O neoliberalismo propõe para o Brasil uma inserção no mercado mundial como uma China com menos habitantes. Querendo vender o aviltamento da mão de obra, a precarização do trabalho e commodities melhores e grãos, fazendo com que a gente regrida a uma época da nossa economia colonial.
País nenhum cresce sem industrialização, sem investimentos em indústrias que gerem empregos, sem investimentos em modernização, em ciência e em tecnologia.
Então eu diria que a luta do PMDB do Paraná é a luta pela valorização do trabalho e do capital produtivo em contraposição ao capital financeiro, que é o capital vadio, o capital vagabundo, o capital que lucra abaixo de um investimento industrial sem produzir um botão, um sapato, um paletó ou uma peça para uma máquina.
E este capital financeiro é que provocou este desastre que estamos vivendo no mundo inteiro. E este desastre ao contrário do que se na grande mídia, associada aos bancos e ao capital financeiro, não acabou.
É uma ilusão pensar que estamos bem. Nós estamos simplesmente comprando produtos importados em detrimento da indústria nacional e do crescimento da nossa capacidade industrial instalada.
Em cima destes princípios estamos cobrando do PMDB nacional a formulação de um programa que consagre o bom governo Lula, porque sem dúvida ele é bom do ponto de vista dos problemas sociais, mas escape da armadilha da aliança do governo Lula com os grandes bancos, que com toda franqueza é exatamente a mesma aliança do governo do FHC. Com esta variável desta preocupação inegável, que é a preocupação social.
Se nós conseguirmos colocar para o partido a necessidade da formulação de um programa nacional de governo, ou eliminarmos esta prevalência absoluta do Banco Central. O BC só se preocupa com a moeda e tem gente competente para isto. Mas é o liberalismo econômico, a moeda acima de tudo.
O BC é absolutamente incompetente para formular uma política trabalhista, porque ele sacrifica o trabalhador em função da estabilidade da moeda. É incapaz para formular uma política social, agrícola ou industrial, uma política de nação, uma política federal.
É a idéia de que o Brasil é um mercado e não uma nação. Um mercado a ser ocupado e a trazer vantagens para os outros e não para os brasileiros.
Então, o que nós do PMDB do Paraná estamos pretendendo é dar um avanço na política do Lula, algo a mais, ou seja, o rompimento do acordo com o capital financeiro. E uma luta firme de proteção ao trabalho que não pode ser precarizado, não pode ser aviltado. As garantias trabalhistas têm que ser mantidas e ampliadas. E não fulminadas para oferecer ao mundo uma espécie de trabalho escravo e barato para os investidores internacionais que saem de seus países e vêm aqui na exploração desta semi-escravidão do século XXI.
Esta é a luta que nós estamos hoje e esta luta me obriga, docemente constrangido pelo Pedro Simon, pelos companheiros do RS, SC e SP a aceitar a indicação de uma pré-candidatura. Ainda mais porque não se pode propor um programa sem ter uma pré-candidatura que o puxe para a frente.
Tendo um programa, o PMDB do Brasil tem possibilidade da candidatura própria. E se ela não for possível, uma aliança que leve em consideração esta visão nacional, defesa dos interesses do capital brasileiro e dos trabalhadores brasileiros numa aliança necessária nesta etapa do nosso processo de desenvolvimento.
Nunca acordos de jantar. Até porque depois do famoso jantar o Lula já pediu uma lista tríplice para aquela cúpula parlamentar que não representa o partido. E eu sugeri ontem em SP para o PT, uma lista sêxtupla desde que não tivesse nenhuma personalidade do BC, para eles sim indicarem o candidato numa chapa do PMDB para transformar o Brasil e valorizar um programa nacional.
Agora aqui no Paraná a coisa é tranqüila. A eleição é plebiscitária. Venho agora da inauguração de um hospital em Campo Largo, um dos 42 hospitais que construímos, reformamos e modificamos completamente. São 149 médicos, 649 funcionários para atendimento exclusivo de crianças. Hospitais regionalizados, 347 clínicas da mulher e da criança espalhadas por todo o Paraná.
Os programas de estímulo a agricultura, o Trator Solidário, o Fundo de Aval, o seguro para os plantadores de trigo garantido 100% pelo governo federal e pelo estado do Paraná na complementação de seu valor.
A revolução que tivemos e vamos continuar fazendo na educação. É uma eleição plebiscitária, ou é o Pessutão ou tudo volta a ser o que era: o caos, as negociatas, os acordos políticos em cima de favores e nós sabemos exatamente o que isto significa. Portanto, que eleição da minha sucessão se transforme num plebiscito.
Valeu a pena o que nós fizemos? O nosso secretariado e nossos companheiros fizeram um bom governo? Tenho certeza que sim. É, sem nenhuma falsa modéstia e hipocrisia um grande governo que não gastou dinheiro com a imprensa e por isto inaugurou hospitais. Não gastou dinheiro com a imprensa e por isto acolhe a agricultura. Não gastou dinheiro com a imprensa e por isto pode criar planos de cargos e salários para professores e funcionários das escolas. Não gastou dinheiro com a imprensa e por isto pôde e pode manter as nossas estradas sem pedágio numa situação que não existe igual no Brasil.
É um plebiscito. Ou é o velho MDB de guerra capitaneado pelo Pessuti neste processo ou a volta aquela desclassificação que nos incomodava e envergonhava com acordos terríveis com multinacionais e o arrocho da pequena e média empresa paranaense e brasileira.
Nós somos da pequena empresa sem imposto, da política de dar energia de graça para as famílias mais pobres, a tarifa social... enfim, nós estamos diante de uma situação absolutamente plebiscitária e a escolha vai ser do eleitorado do Paraná. A nossa obrigação é colocar as coisas com clareza. Orlando Pessuti ou tudo volta como dantes ao cartel de Abrantes.
Um abraço minha gente!
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Companheiros! É um prazer enorme estar aqui votando numa chapa única, reforçando a candidatura do Pessutão à minha sucessão no Governo do Estado, valorizando como sempre o nosso velho MDB de Guerra.






